Quem está por trás

Raphaela Travassos: vinte anos aprendendo a cuidar de uma pele que dói.

O filho dela tinha um mês e quinze dias quando a pele começou a falar. A primeira médica disse que era excesso de roupa. Vinte anos, quarenta internações e uma pilha de tratamentos depois, ela decidiu virar a chave: se ninguém tinha feito um cuidado que caísse no orçamento de quem ganha um salário mínimo, ela ia ajudar a fazer.

Raphaela Travassos com o filho
20 anosde cuidado, todos os dias

1 mês

e quinze dias de vida quando os primeiros sinais apareceram na pele dele.

40

internações ao longo da vida dele, várias por infecção grave de pele.

R$ 300

o preço de um creme que a família não tinha como comprar. É daí que vem a pesquisa.

A história

Da primeira consulta errada até virar propósito

01

“Era excesso de roupa”

Com um mês de vida, o corpo dele amanheceu marcado. A médica disse que era roupa demais e mandou tirar. Ele estava de malha leve. Foi o primeiro de muitos “não é nada” que ela ouviria.

02

O diagnóstico veio por acaso

Correram para o hospital por uma otite — o ouvido dele estava com secreção. Foi ali, olhando a pele de um bebê que tinha ido por outro motivo, que uma médica juntou as peças: dermatite atópica, e também intolerância à lactose. O diagnóstico que ninguém tinha procurado apareceu numa emergência.

03

O pior cenário possível

Dermatite atópica se mede em leve, moderada e grave. A dele era grave. Pescoço, dobras dos joelhos e dos braços, mãos, partes do rosto. Ar-condicionado ligado quase o dia inteiro para não suar, não coçar. Banho morno e rápido, creme, loção, óleo, pomada, remédio para coçar — e, mesmo assim, sem resultado.

04

Quarenta internações e um revezamento

Foram quarenta internações, várias por infecção grave na pele. Para que ela pudesse trabalhar e ele não ficasse só, a família se organizou em turnos: um dia a avó, outro a prima, outro a tia. As medicações eram caras — às vezes um primo comprava, às vezes um tio, às vezes ela.

05

A adolescência, a parte mais dura

Na infância para a adolescência, a doença se intensificou — e o mundo ficou mais cruel. Ele não tinha amigos, sofreu bullying, e os anos mais difíceis foram também os mais silenciosos. Ela atravessou tudo sem apoio psicológico para si mesma: “apoio como mãe, no sentido psicológico, eu não tive”.

06

Hoje: a armadura vira ferramenta

O filho está com vinte anos. Ele faz piada da própria doença — foi assim que aprendeu a se proteger — e ainda hoje há assuntos em que não entra. Ela segue de armadura, mas mudou o uso: quer que essa armadura sirva para outras mães construírem as delas.

Nas palavras dela

Três frases que explicam tudo

Não consigo tirar a armadura, já meio que enraizou na pele.

Sobre viver em estado de alerta por vinte anos — e sobre por que ela quer que outras mães não precisem esperar tanto.

Eu tentava passar que ele era muito mais do que só uma pele.

A criação que ela escolheu: dura de propósito, porque preferia ser ela do que o mundo. É também a culpa que ela ainda carrega.

Isso não é estética. Cuidado é o essencial para sobreviver e viver.

A tese dela: cremes para dermatite entram na prateleira da beleza, com preço de beleza — quando são tratamento.

Por que a pesquisa

Um creme de R$ 300 e um salário mínimo não fecham a conta

Existem produtos excelentes no mercado. Só que quem ganha um salário mínimo e tem um filho com dermatite atópica não tem como comprar — esse era exatamente o caso dela. A pergunta que ela faz é simples: por que não fazer um cuidado que custe a metade, ou um terço, e ainda seja bom?

Para responder isso sem chutar, é preciso ouvir muitas mães: quanto gastam, o que já falhou, o que faltou existir, o que pesa nas noites. É essa a escuta que está no ar agora — e cada conversa entra anônima na pesquisa.

Contar a minha história

Preço que caiba no mês

Acessível sem virar sinônimo de pior.

Formulação sem susto

Livre de parabeno e do que mãe nenhuma quer na pele do filho.

Feito com as mães, não para elas

Quem viveu a doença ajuda a desenhar a solução.

A história dela já foi contada. Falta a sua.

São de 30 a 40 minutos de conversa por voz, gratuitos e anônimos. Você fala, a Helena escuta.

Participar da escuta

Se esta história mexeu com você

Nada aqui é atendimento em saúde. Se você ou seu filho estiverem passando por sofrimento emocional, o CVV atende de graça no 188, 24 horas por dia, e o CAPS ou a UPA mais perto de você também podem ajudar.